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Perspectivas do Agronegócio 2026

Representantes da Coplana e Socicana participam de palestra com Dr. Roberto Rodrigues, em evento promovido pela ACIAJA e Sicoob PRO

O agronegócio brasileiro atravessa um momento decisivo. Entre oscilações de mercado, pressões ambientais, transformações tecnológicas e desafios macroeconômicos, o setor se vê diante de um cenário que exige não apenas eficiência produtiva, mas, sobretudo, visão estratégica e capacidade de adaptação.

Para falar sobre o agro 2026, desafios e estratégias, representantes da Socicana e Coplana, juntamente com lideranças empresariais, produtores rurais e profissionais do setor, se reuniram a convite da Associação Comercial, Industrial e Agronegócios de Jaboticabal  (ACIAJA) e Sicoob PRO, em Jaboticabal, para a palestra “Perspectivas do Agronegócio 2026”.

O convidado para conduzir a análise foi o ex-ministro da Agricultura e uma das maiores autoridades do setor, Dr. Roberto Rodrigues, reconhecido internacionalmente por sua atuação em defesa do cooperativismo e por sua contribuição ao fortalecimento do agronegócio brasileiro. Ele estruturou o futuro do agro sobre quatro pilares da geopolítica mundial.

Segurança Alimentar: Deixou de ser apenas um tema tecnológico para se tornar uma questão de sobrevivência política. Com a população global em ascensão, o Brasil permanece como o “celeiro garantidor”.

Transição Energética: A agricultura é, hoje, a base da energia limpa demandada pelo mundo.

Mudanças Climáticas: O clima tornou-se um risco sistêmico. A resiliência exige tecnologia de precisão e manejo conservacionista.

Desigualdade Social: O ex-ministro destacou que o agro precisa ser inclusivo, pois a desigualdade gera instabilidade jurídica e afasta investimentos.

A força da tecnologia brasileira

Durante sua palestra, Dr. Roberto Rodrigues destacou que o mundo vive uma “era da desordem”, marcada por incertezas geopolíticas e mudanças climáticas. No entanto, o Brasil detém uma vantagem competitiva única: a tecnologia tropical sustentável.

“O Brasil é o único país que desenvolveu tecnologia tropical sustentável em larga escala. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) projeta que a oferta mundial de alimentos precisa crescer 20% em dez anos; para que o mundo atinja essa meta, o Brasil precisa crescer 41%. O mundo sabe disso, o desafio é o Brasil também entender sua força”, afirmou o professor, lembrando que somos o único país capaz de realizar até três safras na mesma área por ano, economizando terra e preservando o meio ambiente.

O produtor além da porteira

Sobre a realidade imediata, o panorama para 2026 foi descrito como “não simpático”. “Custo alto e preços baixos desequilibram a renda. É um ano dificílimo”, alertou.

Complementando a visão macroeconômica, Sérgio de Souza Nakagi, vice-presidente da Coplana e atual presidente do Sindicato Rural, falou sobre a realidade cotidiana nas lavouras. “O produtor rural está cuidando muito bem da porteira para dentro. Mas e a porteira para fora? Quem está olhando por ele?”, questionou.

Durante a palestra, Rodrigues falou sobre estratégias que produtores precisam agregar no seu negócio, e em alinhamento aos pontos destacados pelo professor, Nakagi ressaltou o trabalho desenvolvido pelo Sindicato e a Coplana. “Nossa missão no Sindicato e na Cooperativa é buscar técnicas e projetos que agreguem valor ao que o produtor faz. Precisamos de políticas públicas e privadas que caminhem juntas, ouvindo a base. Sem essa conexão, o produtor corre o risco de plantar com custos altos e ver o preço cair na colheita por falta de coordenação de mercado”, alertou Nakagi.

Para o presidente do Sicoob PRO, Ricardo Bellodi Bueno, a presença de Roberto Rodrigues representa uma oportunidade de aprendizado e reflexão sobre os desafios do setor.

“O nome do Dr. Roberto cai como uma luva. A palestra foi uma verdadeira aula de macroeconomia com viés no agronegócio, trazendo reflexões importantes sobre o cenário atual e sobre o que nós, brasileiros, precisamos entender para enfrentar os desafios do setor”, destacou.

Principalmente em um momento turbulento vivido no Brasil e no mundo, José Antonio de Souza Rossato Junior, diretor-secretário da Coplana, destacou a importância de eventos como este, especialmente quando ministrados pelo professor Roberto Rodrigues. Ele lembrou que, há 50 anos, o Brasil importava 30% dos seus alimentos e, hoje, é um exportador global de bioenergia e sustentabilidade. “Isso nos traz direcionamento, nos reacende a chama da esperança e nos faz seguir em frente dentro de um setor importante para o Brasil, importante para a economia de Jaboticabal e região”, destacou.

Ao falar sobre o pequeno produtor e a sucessão familiar, Rossato utilizou uma metáfora que define a agricultura de Jaboticabal: a “dobradinha” cana e amendoim.

“Na década de 1980, a Coplana viu no amendoim uma oportunidade para ocupar as terras ociosas durante a reforma do canavial. Foi um encaixe perfeito. Isso criou uma ponte social e econômica. O amendoim permitiu que o pequeno produtor acessasse o mercado global de alimentos,” explicou.

Visão urbana do agronegócio

O professor Roberto Rodrigues ressaltou ainda a importância de uma visão urbana sobre o setor e o papel do cooperativismo na educação da sociedade. “Jaboticabal é um centro canavieiro importante para o país. Eventos desta natureza, que mostram para a sociedade urbana como a agricultura é relevante, são fundamentais. Falta-nos hoje uma visão urbana do setor; os cidadãos precisam entender a importância do agro, caso contrário, todos serão afetados por uma crise agrícola abrangente”, pontuou.

Essa visão vai ao encontro do conceito defendido também pela Socicana, de aproximar a cadeia produtiva da sociedade em geral, como comentou o superintendente, Rafael Bordonal Kalaki.

“O professor nos trouxe mais do que informação atualizada e dados; é uma visão de mundo específica de agronegócio que só o Dr. Roberto tem, sendo muito importante, principalmente para ajudar o produtor em seu próprio planejamento. Outro fator que contribui bastante é que o evento foi realizado em uma associação comercial e envolve diferentes setores da nossa sociedade, trazendo informações relevantes para o entendimento do agronegócio, sua dimensão e importância para o Brasil”, comentou o superintendente.

O presidente da Aciaja, Hélio César Vieira da Costa, citou a força do setor produtivo e da parceria. “A história brasileira demonstrou que, sempre que o país enfrentou dificuldades, o agro respondeu com trabalho, tecnologia e resultados. A parceria com o Sicoob PRO representa esse espírito cooperativo que fortalece nossa região e acredita em quem produz”, destacou.

Ao final das discussões, ficou claro que o horizonte de 2026 exigirá resiliência e, acima de tudo, união. O encontro em Jaboticabal reafirmou que o sucesso do agronegócio não depende apenas do clima ou do solo, mas da capacidade de conexão entre o campo e a cidade e do fortalecimento das organizações. Ao alinhar tecnologia de ponta com uma gestão estratégica “além da porteira”, o setor se prepara não apenas para enfrentar as incertezas econômicas, mas para consolidar sua posição como o pilar de sustentabilidade e segurança alimentar que o mundo espera do Brasil.

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