
A Socicana realizou, no dia 12 de dezembro, o Encontro sobre Fechamento da Safra 2025/2026 e Análise dos Custos de Produção, reunindo produtores associados para um momento de atualização técnica e avaliação dos resultados do período. Para discutir os temas, o evento contou com a participação do consultor João Rosa (Botão), do Pecege, e do gerente Técnico da Socicana, Renato Fernandes Machado.
O gerente Técnico da Socicana, Renato Fernandes Machado, trouxe a análise regional do período, destacando os principais indicadores dos produtores e usinas da região, além de tendências e desafios enfrentados nas lavouras. Segundo ele, diferentes fatores foram responsáveis por influenciar o desempenho no campo. “A distribuição irregular das chuvas no verão de 2025 e ao longo da safra vigente prejudicou a produtividade da cana colhida no terço inicial da safra. As inesperadas chuvas que ocorreram no inverno de 2025 favoreceram o terço final de safra, mantendo as médias produtivas na casa das 75 toneladas por hectare. Os incêndios de 2024 deixaram ‘heranças’ que contribuíram para reduzir o potencial produtivo dos canaviais. O preço do ATR foi caindo ao longo da safra, prejudicando a remuneração do produtor. Além disso, os custos de formação e manutenção do canavial permaneceram elevados, afetando a rentabilidade. Ainda tivemos as altas taxas de juros para o crédito rural, que dificultaram a aquisição de máquinas e insumos.”
O especialista e consultor João Rosa (Botão), do Instituto Pecege, trouxe uma visão da safra na região Centro-Sul do Brasil, bem como um panorama de custos de produção da cana-de-açúcar. Destacou ainda pontos de atenção para a próxima temporada. Em relação à safra, ele afirmou que a previsão é de aproximadamente 609 milhões de toneladas de cana moída e 84 milhões de toneladas de ATR total. No mix do período, 50,82% do ATR para o açúcar, com 40 milhões de toneladas, e 49,18% para o etanol, com 24 bilhões de litros.

Em relação a preço, João afirmou que estão retornando à normalidade. “Não se trata de um cenário baixista, porém em um patamar inferior ao observado nas últimas três safras. Nesse contexto, produtividade e eficiência na lavoura serão essenciais. A produção maior estimada para esta safra ajudará a compensar a queda de preços, mas exigirá atenção redobrada à eficiência operacional. Não é momento de cortar investimentos, mas de buscar excelência: manter equilíbrio, foco e evitar decisões precipitadas.”
No que tange a custos de produção, João trouxe os números da safra 2024/2025. O custo por tonelada foi aferido em R$ 166,92. A operação, da qual fazem parte a mão de obra e o diesel, representa 45% do total • seguidapelos insumos com 26,2% • arrendamento com 18,5% • administrativo, royalties e outros custos com 5,9% • irrigação e fertirrigação com 4,4%.
Em relação aos insumos, os custos se dividem em: fertilizantes com 10% • defensivos com 7,9% • mudas com 4,25% • adubação corretiva com 2,4% • outros itens com 1,5%.

Ao comentar sobre as práticas que têm contribuído para a redução de custos e melhoria da eficiência operacional, João Rosa lembrou dos investimentos e do combate ao desperdício. “Para controlar custos, é essencial manter uma produtividade economicamente sustentável e avaliar a relação custo-benefício dos insumos, sem cortes improvisados. É fundamental reduzir desperdícios operacionais e aprimorar a gestão de crédito, especialmente diante das taxas elevadas. Excelência operacional, uso racional de insumos e boa gestão financeira formam a base para melhorar eficiência e rentabilidade”, afirmou.
O consultor concluiu trazendo uma análise da relação de troca, ou seja, qual deveria ser a produtividade mínima do agricultor em diferentes cenários de contrato para evitar prejuízos.

Produtividade vem seguindo padrão histórico
Os gráficos apresentados mostram que a produtividade média da cana nos últimos 15 anos manteve-se próxima de 75 TCH, com a maior parte das safras permanecendo abaixo da média histórica de 77 TCH, indicador que reforça uma estabilidade no setor e a necessidade de avanços técnicos para ganhos de performance. Em relação aos preços, o etanol hidratado permaneceu, em boa parte do período, na faixa de R$ 2,50 a R$ 2,70/litro, patamar historicamente mais frequente. No mercado internacional, o açúcar VHP operou predominantemente entre US$ 0,22 e US$ 0,23/libra-peso, intervalo observado na maior parte dos últimos 15 anos. Os dados, portanto, mostram que produtividade e preços seguem padrões históricos, sem alterações expressivas em relação ao comportamento médio do setor. Mais uma vez, esse cenário reforça a necessidade de avanços em tecnologias na lavoura e na gestão financeira e operacional.
Na visão do superintendente da Socicana, Rafael Bordonal Kalaki, o evento foi muito importante para o associado, devido à qualidade das análises apresentadas. “Trouxe uma visão clara sobre como está o setor de cana, uma visão regional, além de uma visão financeira dos custos de produção. Eventos como este trazem informações que ajudam o produtor a tomar decisão sobre seus negócios”, finalizou.
















