
Quais as ações práticas para melhor controle da cigarrinha-das-raízes
Ela pode passar despercebida em alguns momentos, mas seus efeitos são devastadores. A cigarrinha-das-raízes vem preocupando os produtores pela rapidez com que compromete o vigor e a produtividade da cana-de-açúcar. No artigo a seguir, o Departamento Técnico da Socicana explica como identificar o problema, quais os danos causados e quais as melhores práticas de manejo para realizar o controle. Reforçamos que nossa Equipe Técnica está sempre atenta para atender o associado em todas as etapas da produção e também neste período, que é de fundamental importância para seus resultados.
Ciclo de Vida
O inseto passa por um ciclo de vida com três fases de desenvolvimento: ovos, ninfas e adultos. O ciclo completo dura, em média, 80 dias. Os ovos são depositados no solo, próximos às raízes da cana-de-açúcar, e a eclosão ocorre em condições favoráveis de temperatura e umidade, principalmente durante o início da estação chuvosa.
Momento de ataque
O ataque tende a ocorrer com mais intensidade durante os períodos de alta umidade e temperaturas moderadas, condições que favorecem tanto a oviposição quanto o desenvolvimento das ninfas. Nas fases de seca prolongada, os danos se tornam mais aparentes, pois a planta já está sob estresse hídrico, o que potencializa os efeitos negativos da praga.
Danos causados
Entre os danos causados pela cigarrinha, destacam-se tanto os provocados pelas ninfas quanto pelos insetos adultos. As ninfas, que vivem no solo sob a palhada, alimentam-se das raízes superficiais, comprometendo a absorção de água e nutrientes. Esse ataque reduz o desenvolvimento da cana, afetando a altura, o diâmetro dos colmos e, consequentemente, a produtividade. Já os insetos adultos sugam a seiva das folhas e colmos, transmitindo toxinas que causam a queima foliar. Os sintomas são visíveis, como estrias amareladas no limbo foliar, bordos enrolados e definhamento do colmo, o que reduz o teor de sacarose.
Adicionalmente, a cigarrinha-das-raízes abre portas para infecções secundárias por fungos e bactérias, agravando a situação do canavial. Em ataques severos, podem ocorrer reduções na qualidade da matéria-prima, com perdas de até 30% na produtividade.
Sintomas
Os sintomas mais comuns de ataque por cigarrinha incluem:
- amarelecimento das folhas, devido à redução na absorção de nutrientes;
- enfraquecimento da planta causado pelo comprometimento do sistema radicular, que leva ao crescimento reduzido e baixo vigor;
- morte de perfilhos em infestações graves, devido à falta de nutrientes e à ação de patógenos oportunistas.
Métodos de controle
O manejo eficaz exige a adoção de estratégias integradas que combinem controle biológico, cultural e químico, além de um monitoramento constante da lavoura.
- Controle biológico: inimigos naturais, como o fungo Metarhizium anisopliae, têm mostrado bons resultados no controle das ninfas. O uso desses agentes é uma alternativa sustentável e de baixo impacto ambiental, sendo amplamente recomendado em programas de Manejo Integrado de Pragas (MIP).
- Práticas culturais: rotação de culturas, preparo adequado do solo e eliminação de restos culturais são medidas que ajudam a reduzir a população da cigarrinha. Além disso, a melhoria da drenagem do solo pode dificultar o desenvolvimento das ninfas, que dependem de ambientes úmidos.
- Controle químico: inseticidas específicos podem ser usados quando a infestação atinge níveis críticos, mas devem ser aplicados com cautela para evitar a resistência da praga e o impacto sobre o meio ambiente.
O monitoramento constante do canavial é essencial para determinar o momento correto de intervenção. O ideal é que o produtor inicie o acompanhamento no começo do período chuvoso, o que possibilita observar o desenvolvimento das populações de insetos ao longo do ciclo da cultura.
O nível de controle (NC) é atingido quando são identificadas, em média, cinco ninfas por metro e entre 0,5 e 0,75 inseto adulto por cana, considerando a contagem de espumas ou de adultos na lavoura.
A Socicana auxilia o associado na condução desse monitoramento, oferecendo orientação técnica para a coleta de dados e interpretação dos resultados, contribuindo para uma tomada de decisão mais assertiva e eficiente no manejo da praga.
Conclusão
A cigarrinha-das-raízes é uma praga que requer atenção constante dos produtores de cana-de-açúcar, especialmente em regiões com condições climáticas favoráveis ao seu desenvolvimento. O monitoramento constante e a adoção de um manejo integrado, combinando diferentes métodos de controle, são fundamentais para manter a produtividade dos canaviais e garantir a sustentabilidade da produção.
Renato Machado
Gerente Técnico da Socicana
















