
No dia 22 de março, após a Assembleia Geral Ordinária da Socicana (AGO), os associados participaram de uma palestra conduzida por João Rosa “Botão”, sócio-diretor da Consultoria Pecege. A apresentação abordou três pilares fundamentais para o setor sucroenergético: produção, mercado e custos.
Quanto ao fator produção, Botão destacou as expectativas para a safra 2025/2026, que tende a ser mais desafiadora. “Viemos de um período de boas precipitações até janeiro, mas fevereiro já mostrou instabilidade. Por isso, é provável que haja uma quebra de safra”, alertou. Além disso, a projeção inicial aponta para uma redução de cerca de 5% na produtividade média.
Em relação ao mercado, as previsões são mais otimistas. Na visão do palestrante, a expectativa do Consecana São Paulo é de aumento no valor do ATR (Açúcares Totais Recuperáveis), sendo estimado em R$ 1,20/kg para a safra 2024/2025 e podendo chegar a R$ 1,24 ou R$ 1,25/kg na safra seguinte (2025/2026). Esse cenário é impulsionado principalmente pela valorização do etanol, que deve ter melhor desempenho no ciclo atual.
O eixo custos de produção é o que exige esforços maiores dos associados. “Os produtores precisam prestar atenção nos custos e como isso está permeando a atividade. Vamos ter o lado bom, que é o aumento de preços, mas os custos tendem a subir”, destacou o palestrante.
O que dizem os números?
A formação do canavial na safra 2024/2025 apresentou um custo médio de R$ 18.014,00 por hectare, e para a safra 2025/26 a projeção é de alta de 7,9%, chegando a R$ 19.438,00/ha. O preparo do solo também ficou mais caro: de R$ 5.279,00 para R$ 5.635,00/ha (+6,7%). O plantio saiu de R$ 9.455 para R$ 10.198 por hectare, e os tratos culturais de plantio subiram consideravelmente: 9,9%, alcançando R$ 3.605,00/ha.
Os tratos da cana soca tiveram aumento ainda mais expressivo, de 13,3%, passando de R$ 3.257,00 para R$ 3.688,00 por hectare.
O custo operacional total para a safra 2025/2026 é projetado em R$ 169,30 por tonelada de cana processada, diante de R$ 159,20 registrados na safra 2024/2025. Esse valor inclui atividades como preparo, plantio, tratos, colheita, transporte e arrendamento.
Apesar dos desafios, Botão demonstrou otimismo: “Mesmo com a indefinição climática e a possível queda de produtividade, tudo indica que será uma boa safra, com geração de margem ao produtor. A cana-de-açúcar, aliás, vem apresentando resultados consistentes há pelo menos cinco anos, superando outras culturas”, concluiu.


















