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Quais as perspectivas da cana-de-açúcar para 2019? “Sob o ponto de vista da Cana”

É preciso analisar alguns dados da safra atual 2018/2019 para se ter uma ideia do difícil cenário que todo o setor sucroenergético irá enfrentar. Além também de resultados acumulativos nos últimos dez anos em relação à atividade agrícola; eficiência industrial; custos e preços tanto da matéria-prima cana, como de seus produtos derivados.

O preço de venda da cana está em torno de R$79,78/tonelada contra um custo agrícola atual cana de R$102,21/ton “na esteira”; totalizando um custo final de R$121,41/ton moída, ou seja, já com o custo industrial embutido. O custo de produção da cana nos últimos 11 anos subiu 177,40%, enquanto que a produtividade caiu em mesmo período aproximadamente 12,50%, decorrentes da intensificação da mecanização na cultura e expansão para áreas ainda não “domesticadas” para a cultura da cana, frente a um preço que variou 165,00% no mesmo período. A atividade encontra-se totalmente antieconômica.

 

O ônus da “cana própria” impacta diretamente as indústrias com produtividades menores e custos fixos ociosos tanto na área agrícola, como na indústria e na administração. E em contrapartida a cana do produtor encontra-se em defasagem próxima a 20%. Os canaviais envelheceram e as reformas caíram.

Deparamo-nos então com um cenário de estagnação de investimentos, dificuldade em busca pela eficiência e redução dos custos de produção; aliando-se a esses fatores o alto grau de endividamento de todo o setor sucroenergético no curto e médio prazos.

Fatores externos que impactam diretamente a produção tais como alta dos fertilizantes, dos combustíveis fósseis, maior custos na manutenção automotiva, custos da manutenção da indústria na entressafra e desvalorização do real em mais de 15%; acabam surtindo um efeito acumulativo e estacionalizando qualquer atividade.

A estrutura de capital passa a ficar ameaçada em decorrência de custos fixos mais altos devido a falta de matéria-prima, ocasionam a queda da rentabilidade (TIR < WACC: taxa de retorno do capital investido está menor que o custo do capital), valor do negócio em queda, preço de venda estagnado sem qualquer prognóstico de adequação na parametria da participação da matéria-prima cana no custo final dos produtos obtidos. Formam assim um efeito dominó de baixa eficiência pela falta de investimentos, produtividade acumulativamente baixa, retendo-se qualquer perspectiva de expansão dos canaviais.

Se analisarmos o mercado do açúcar, a situação agrava-se ainda mais, pois em dez anos ocorreram apenas 04 safras com desempenho de preço acima de seus custos totais (operacional + depreciação + custo de capital) e ocorreu uma maior queda de renda nos últimos anos em razão de estagnação da oferta do produto no mercado mundial.

Para o etanol sua rentabilidade foi positiva apenas em 1 safra (10/11).

É o impacto dos custos fixos sobre os processos de obtenção dos produtos finais.

O que se fazer diante de um conjunto gigantesco de fatores que se acumularam e produziram um efeito impactante na atividade canavieira?

Praticar a Reengenharia no Agronegócio da Cana, ou seja, implantar uma verdadeira reinvenção na gestão da atividade sucroenergética provocando reestruturação da empresa, por força das novas condições de mercado, da concorrência, do mercado internacional etc., para aumento de sua competitividade. Inclui-se aí a reciclagem do pessoal interno, terceirização, demissões, utilização de um número menor de empregados, porém mais capacitados etc. A ideia da reengenharia consiste em auxiliar as organizações a repensar uma forma de realizar suas atividades com menor custo, melhor atendimento ao cliente. E se tornarem competitivas no mercado. Seu foco é em análise, projetos de fluxos de trabalho e processos de negócios na organização.

Atuar seletivamente em investimentos que otimizem a eficiência de seus ativos, o uso “preciso” de seus insumos agrícolas e industriais; implantar um controle rígido das atividades e processos, promover definitivamente um maior e melhor manejo varietal, inserindo-se novas tecnologias, promovendo uma melhor qualidade das operações tanto agrícolas como industriais.

O foco deve ser prioritariamente em custos, em eficiência produtiva, fomentar programas que valorizem uma maior integração da matéria-prima com custo mais barato, através do fortalecimento do produtor de cana, que definitivamente pelo seu tamanho, pela sua cultura e por vários outros motivos acabam trazendo uma maior eficiência em produtividade, qualidade e custos.

Mas o fomento deve ser um conjunto de ações que promovam a readequação do preço de venda da matéria-prima, tão defasada atualmente. Compartilhando VALOR e obter RESULTADOS OTIMIZADOS.

A agroindústria canavieira que perceber que o produtor de cana consegue equalizar a balança de preço da matéria-prima e investir em sua sustentabilidade, fatalmente sairá na frente e poderá partir do modo “sobrevivência” que muitas atualmente se encontram para o modo “recuperação” e “crescimento sustentável.”