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Energia a partir da palha da cana: uma possibilidade para a geração de renda ao produtor

Socicana discute o uso da palha durante seminário. Perspectivas são boas para o associado.

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Na busca de alternativas de renda para o associado, a Socicana realizou, no dia 30 de setembro, em Guariba, o seminário sobre o uso da palha da cana para a cogeração de energia elétrica. Apesar destemercado ainda não estar consolidado no Brasil, muitas unidades industriais têm realizado investimentos, vislumbrando uma receita adicional. O aproveitamento da palha pode se tornar uma grande oportunidade para o produtor de cana. Daí a importância de se discutir o assunto.

Luiz Carlos Dalben, produtor e sócio-proprietário da Agrícola Rio Claro, que atua na região de Lençóis Paulista-SP, foi um dos pioneiros, no mundo, a investir no recolhimento da palha para cogeração de energia. Ele participou do seminário da Socicana e conta como começou o trabalho, em 2004, sem conhecer os processos. A unidade industrial parceira, a Usina Zillor, também não tinha estudos, à época, sobre o funcionamento. “Não sabíamos valores, como seria pago, como manejar e recolher a palha. Fizemos uma somatória dos fatores envolvidos para saber a viabilidade e vimos uma oportunidade de ganho com a venda do bagaço. Não havia nenhum equipamento no mercado para esta finalidade. A partir daí, começamos a fazer testes e experimentos”, comentou Dalben.

O recolhimento da palha é feito com dois equipamentos. O primeiro é o aleirador (ou enleirador), que faz o enleiramento da palha da cana que fica no campo após a colheita. O segundo é a enfardadora, que permite recolher e enfardar a palha que será transportada para a indústria.

Apesar de benefícios como melhores condições para cultivo, redução de pragas e maior homogeneidade na aplicação de vinhaça, Dalben faz uma ressalva, pois a retirada da palha apresenta características variáveis de região para região. “A pessoa tem que pensar em questões como temperatura, quantidade de chuvas, fertilização do solo, incidência de pragas e o trato cultural que será usado na cana, para saber o quanto deve retirar do campo e enviar à indústria.”

Em um hectare, com uma produtividade média de 90 toneladas, cerca de 13 toneladas de palha ficam no campo. Deste total, entre 5 e 8 toneladas são recolhidas com destino à produção de bioeletricidade. A umidade varia de 8% a 18%. “Quanto menor a impureza mineral e o índice de umidade, maior o valor a ser pago pela palha. Levamos 50% da palha para a indústria na hora da colheita, e a outra metade fica no campo”, finalizou Dalben.

De acordo com a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), o potencial técnico da bioeletricidade da cana é de 8,4 Gigawatts médios até 2022, utilizando somente o bagaço. Ao inserir a palha, o índice subiria para 22,1 GW médios.

Brasil

A cana tem um potencial energético semelhante ao que produz a usina hidrelétrica de Itaipu, segundo José Campanari Neto, engenheiro mecânico e diretor técnico da MCE Engenharia e Sistemas, empresa especializada na elaboração de projetos de cogeração de energia. “Hoje, o país já produz 600 milhões de toneladas de cana e cerca de 200 milhões de toneladas de palha permanecem no campo. O Brasil perde muito com isso, mas temos uma alternativa fantástica em relação a uma nova matriz energética.”